Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

Na Capela


Entrei no adro da capela, fresco e sereno qual adro celeste. As flores laranja cobrindo os muros levaram-me à infância, à capela da Ajuda.
Entrei e vi-te, desalentada, suplicando algo ou alguém. A resposta não veio, senti-o no teu leve descair de ombros, no passar a mão pelo cabelo longo.
Acerquei-me. Sentei-me calmamente no banco, atrás de ti.
Com a mão, levantei calmamente o teu cabelo. Voltaste-te rápido, balbuciando uma desculpa que nunca decifrarei: os teus olhos ardiam de decepção perante os poderes de outro mundo, repletos de uma água que ardia.
Olhei-te fixamente, calmamente, daquele modo que se olha sereno o campo de batalha antes do combate. A persistência e intensidade do olhar enfeitiçou-te, imobilizando todo o teu ser num momento intemporal.
Estremeceste levemente, enquanto a minha mão passou por ti e descansou mansamente na nuca. Os olhos não deixaram de se mirar nunca, fitando, tu o céu, eu o mar dos teus olhos.
A mão na nuca apertou-se, massajou-te o pescoço, aliviando-te dos males terrenos. Depois subiu levemente e, mansamente, agarrou-te nos cabelos, inclinando-te muito levemente para trás em milímetros intemporais. Sentiste-te presa, mas fitando-me sempre, como a presa que, no laço, se deixa enredar pelo caçador.
Lentamente, fitando-te sempre, inclinei-me para ti e, segurando-te os cabelos sedosos, beijei-te.
Beijei-te?! Não sentiste! Não tens a certeza!
Inclinei-me de novo e lentamente encostei os meus lábios aos teus, por breves segundos: sentiste?! Não sentiste?! Reina em ti a confusão.
Lanças-te em meus lábios e sentes cada mordiscadela, primeiro no lábio superior, depois engulo ligeiramente o lábio inferior, mordisco-o, passo-lhe a língua languidamente... sempre... e mais forte... e sempre...
Senti pelo amplexo que te escorrias.
Levantei-me. Ajoelhei-me em frente aos teus pés que descalcei e, lentamente, muito lentamente, cobri-os de beijos etéreos, uns após outros, primeiro no calcanhar, avançando depois para a  frente, em direcção aos dedos. Antes, deteve-se-me a língua nas bordas do pé, demoradamente até que, chegando aos dedos parei. Levantei os olhos como a pedir autorização. Mas tu, olhos semicerrados, sentias todo o teu corpo ardendo de desejos, de contracções deliciosas, de volúpia.
Lentamente, passei a língua por entre os dedos, ouvindo-te gemer, suplicando. Lentamente, viste-me engolir o dedo do pé e então estremeceste profundamente, lá no íntimo, enquanto o mordiscava ao de leve.
É verdade! Leio-te toda como a um poema aberto! Sinto o líquido quente a jorrar na vulva. Sinto-o como se estivesse a sorver cada gota dele!
Subo a mão pela perna... sinto-as abrirem-se para ela. Sinto a vulva molhada, mas deslizo mais acima: o clítoris inchado denuncia todo o prazer experimentado.
O dedo indicador prime-o lentamente contra o polegar... massaja-o lentamente, mas com pressão, mais e mais, sentindo essa pequena montanha macia e rosa. Tu balbucias, em delírios, convulsões nunca antes experimentadas! Num espasmo, gritas, agarras a minha mão fortemente, cravas os dedos... vens-te!
Levantei-me, deitei-te no banco, relaxada, acomodei-te a cabeça e, com um leve toque em tua testa... deixei-te!
Até à próxima amor!
publicado por oamante às 16:02

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2 comentários:
De lagodocisne a 19 de Novembro de 2006 às 22:24
nem mais. só podias ser tu!
De oamante a 20 de Novembro de 2006 às 08:39
Obrigado, Luís, pela presença nesta tertúlia tão... terrenal, muito diversa da tua metafísica, mas tão... forte.
Gostei desse lago, mas tens de verificar melhor os links que pões nas páginas dos outros: custou-me a encontrar-te.
Quanto ao Tempo e ao Destino, digo apenas: tempo é tudo aquilo que não tenho para cumprir bem o meu destino.
Já Nietzche afirmava que o destino é obra de cada um, pois vamo-lo construindo a cada dia que passa.
Até um dia, Lago do Cisne.

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