Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

O Espaço/Tempo

O título parece-nos atirar para o continuum espaço/tempo da astronomia, onde tempo e espaço se curvam ao sabor de ondas gravitacionais!
Mas tal não é o propósito deste post, pois pretendo ser mais terra à terra e falar da questão do espaço/tempo nas relações amorosas.
É sabido que durante o namoro, o casal convive um grande parte do dia com o outro, mas que chegada a noite cada um vai para a sua casa. Às vezes, nem se encontram todos os dias!
É bom, porque a saudade parece aumentar o desejo.
E ambos vivem bem, assim, convivendo com o outro uma parte do tempo, mas tendo tempo para si, para os amigos, para o convívio, ou para um cinemita.
Agora, vamos ao casamento. Depois da lua-de-mel, os pombinhos estão um com o outro muito tempo e às vezes, esse convívio diário, mesmo horário, provoca no casal um conhecimento das vivências do outro, podendo provocar atritos, pois descobrimos coisas do parceiro que desconhecíamos, sejam atitudes, modos, ou outros. Muitos casais jovens separam-se pouco tempo depois do casamento, às vezes por questiúnculas!
Passada essa fase e desde que ambos sejam crescidinhos, ambos se adaptam à situação de viver juntos e assim continuam.
Se ambos souberem gerir o seu espaço e o seu tempo e os do parceiro, a relação avança tranquila.
Mas hoje vou falar de outra gente. Daqueles que acham ser o casamento uma união total, de unha e carne, a tempo inteiro, 24 horas sobre sete dias!
Quando um dos membros do casal não consegue criar uma vida própria, amigos próprios, passatempos próprios e nem consegue ir só ao café... está o caldo entornado.
E porquê, perguntam-me vocês?
Porque o outro parceiro, vê-se confrontado com uma falta de espaço, ou de tempo, para se desenvolver enquanto indivíduo! Nem se trata de ir com mulheres, não. Mas acho saudável, que eles passem algum tempo separados, podendo ser uma hora, ou até 5 minutos.
O que eu digo é que podem decidir ir a um centro comercial e cada um vai às lojas que quer, ou um vai ao cinema, enquanto outro vai com amigos.
Mas têm de arranjar um tempo para estarem sem o outro.
A cena muda de figura se um deles não aguenta estar só, seja em casa, seja no café, seja até com os seus próprios amigos.
Neste caso, a relação aparenta ser uma mini-prisão para o parceiro que se sente enjaulado, mesmo que perceba que o outro não aguenta estar só, nem aguente se encontrar, só, com os seus amigos, nem perceba que quando o parceiro lhe diz que precisa de tempo só para si, não deve responder que duvida do seu amor.
O parceiro não quer sair com mulheres, ou melhor, pode nem querer ir com elas para a cama, mas apenas conversar. Pode até precisar apenas de ir ao cinema sozinho, ou de beber uma cerveja com os amigos.
Nem é sempre, nem é frequente, mas pode ter essa necessidade lá de vez em quando.
Nestes casos, que será do casamento? Ou o parceiro que precisa de tempo, ou de espaço, para si próprio compreende muito bem essa dependência do outro, ou as coisas podem dar para o torto!
Há que dar espaço ao outro, para que as relações sejam saudáveis. A liberdade não é uma fuga e pode ajudar, até, a cimentar mais as relações, tal como o Principezinho aprendeu.
 
 
música: "Hard to say i'm sorry" dos Chicago
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publicado por oamante às 10:04

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23 comentários:
De só sei k nada sei a 2 de Maio de 2007 às 11:34
Tudo o que dizes é bem verdade! E é a essência de um relacionamento saudável. Eu ainda acredito neste tipo de relacionamento, apenas neste... porque é uma ilusão querer-se preencher o vazio dentro de nós com outro alguém.
De oamante a 3 de Maio de 2007 às 13:59
Claro, se estamos vazios... nada no mundo nos preencherá!
De AlfmaniaK a 2 de Maio de 2007 às 12:31
Será sensato sugerir que um casal tire férias um do outro? Tal como os pais, por vezes, querem fazer em relação aos filhos?
Acho que sim! Se há falta de espaço, que se empurrem os móveis, nem que seja só por um bocado. :)
De oamante a 3 de Maio de 2007 às 14:00
Não digo tirar férias, apenas minutos ou horas! Ttodos temos de ter um tempo para nós próprios, nem que seja para não fazer nada.
De barafundida a 2 de Maio de 2007 às 13:42
Quando há amor entre o casal acho que qualquer
modo de vida funciona, quer coladinhos, quer mais
liberais. Basta ir gerindo com diálogo.
Quando o amor acaba, muitas vezes atribuímos a culpa ao modo escolhido: ou porque o outro nos sufocava, ou porque nos excluía... enfim relações.
Não é fácil.

Obrigado pela atenção.

De oamante a 3 de Maio de 2007 às 14:02
De nada, Barafundida! De nada...
Para que o amor funcione tem de lhe ser dada hipótese e tornar-se dependente não é amar, talvez, ou poderá ser em demasia!
De ComSensualidade a 2 de Maio de 2007 às 15:15
A meu ver o problema é que raramente os " dois" da relação pensam nesses moldes de mente aberta e sã....
E aí surgem as desconfianças e os desentedimentos, se um for inclusivamente mais possessivo do que o outro, então está tudo estragado.....
Beijo Docinho e meladooooo
ComSensualidade
De oamante a 3 de Maio de 2007 às 14:04
Espera... pronto... já está... Sorry, é que esse último beijito trazia cá um mel!
Pois é, basta sermos independentes, para termos uma mente aberta, mas se começamos com actos possessivos...
De Carla a 2 de Maio de 2007 às 16:12
Eu não gosto muito de generalizar as relações. Acho que cada relacionamento é um caso, assim como cada pessoa que o constitui... direccionaste o teu post para a versão de: o homem precisa de tempo/ espaço e a mulher não dá, eu percebo porquê...mas as mulheres também têm necessidade de tempo/ espaço... as mulheres têm é formas diferentes de o manifestar, e por vezes manifestam-o tardiamente, ou seja, quando o marido/ companheiro menos espera, se calhar por estar habituado desde há muito tempo, anos até, a saber com o que pode contar com a mulher... habituado a que seja a mulher a abdicar do seu espaço/ tempo para estar com os filhos, para tratar da casa, e até para que eles tenham o seu espaço/ tempo... até que se chega a uma altura em que a mulher se farta!!
Se tudo isto é saudável?! Não, não é, cada homem/ mulher mesmo tendo um(a) companheiro(a) não devem esquecer deles próprios, nem tão pouco devem abdicar daquilo que os faz sentir bem... mesmo correndo o risco dos relacionamentos não darem certo.
Mas, assim como a vida não é perfeita, não há relacionamentos perfeitos!
De oamante a 3 de Maio de 2007 às 14:10
Claro que não há relacionamentos perfeitos, pois ninguém o é! Mas podemos tentar aperfeiçoar-nos, não é?
E eu nunca pedi tempo para mim... sobrecarregando a minha cara-metade.
Até fico com os miúdos à noite e digo-lhe para sair com as amigas. Já fiquei aqui nesta Madeirinha e deixei a mulher ir numa viagem de fim de curso aí ao rectângulo, uns dias, sem problema nenhum e sem lhe telefonar todas as horas (e fiquei a tomar conta da filha, sem a deixar com a minha mãe!).
Só queria algum tempo para mim. Não gostei, por exemplo, de ouvir, uma noite em que combinámos que era a minha vez de sair com os amigos (depois de ela o ter feito umas vezes) ela se despedir dizendo: Vê lá o que vais fazer! Eu nunca lhe tinha dito nada, não gostei de ouvi-lo!
Há que ter tempo para si próprio, nem que seja para ler um livro em paz.
De Carla a 3 de Maio de 2007 às 14:43
Percebo... mas se calhar tu nunca lhe disseste nada do género porque confias nela a 150%, não?! E talvez não se passe o inverso... por motivos que só tu (e ela) sabem.
Uma mulher não diz isso por dizer... ou para mostrar que quer controlar a situação... uma mulher quando diz o que ela disse ou desconfia no momento, ou já teve motivos para desconfiar, ou então o "amor" que sente por essa pessoa é doentio ao ponto de não a deixar respirar!
Já experimentaste em dizer-lhe, simplesmente, que precisas de espaço/ tempo para ti?! Mas não é só dizer... explicar-lhe por A+B o que isso quer dizer para que ela não pense o pior?! Dar-lhe segurança no fundo... ou preferes não lhe dar segurança?
Só te fica bem ficares a tomar conta dos filhos...
De oamante a 3 de Maio de 2007 às 15:29
Já lhe disse, sim, Carla, com as letras todas e explicando que queria tempo para ir até nem que fosse a uma loja de ferragens ver uns martelos com uns cabos assim... Lol.
Já lhe expliquei a situação, mas ela não se sente bem sozinha. Não é tanto por obssessão, é mesmo por dependência. Não vos vou explicar, mas até comprendo. Só que pesa um pouco. Já fui com ela a encontros com as amigas porque ela não queria ir só (e eu o único homem lá a ouvir conversas... de mulheres). Já fui ao ginecologista, depois de tentar que ela levasse uma amiga ou fosse só (eu nem sabia onde me meter). Vou com ela ao médico (e depois ela não suporta ir comigo ao médico (porque quer), e eu lhe diga que eu gosto de entrar sozinho(quase brigamos por isso, um nadinha só!). E é assim. Ela não entende que eu possa querer passar tempo sem ela.
Eu explico melhor: trabalhamos até na mesma empresa e quase nem nos vemos e há pessoas que só descobrem isso ao fim de um tempo! Não nos beijamos lá dentro, mas mal saímos, agarramo-nos e tudo. Da porta para fora, somos casados. O problema não está aí.
O problema é que, talvez porque investimos nisso, temos uma profissão que nos deixa a tarde livre. De modo que estamos sempre juntos. Nada de mais, até é bom.
Só que às vezes, podíamos dividir-nos para tratar de coisas de casa, ou dos filhos, ou outras... e ela prefere que estejamos o dois juntos a fazer tudo, mesmo que implique depois perdermos tempo ou ter de ir no dia seguinte. Elas não gosta muito de ir com os miúdos brincar fora de casa, mas eles têm de ter tempo para isso. Eu vou sem problema porque acho que tem de ser, até me sacrificava ir à missa com a minha filha. Mas ela não tem alguma "pachorra" para certas coisas e podia entreter-se entretanto. Mas não. De modo, que vamos ao café com alguém.
Diz ela que gostava de ganhar o Euromilhões só para podermos fazer só o que quiséssemos! Eu, que jogava de vez em quando, nunca mais joguei e rezo para que ela não acerte: seriam 24 horas sobre 7 dias. E ela não ia entender.
Não é que deteste, mas só pedia algum tempo. Gosto dela à mesma e talvez até compreenda porque ela isto. Como dizia a Condescendência: ser amado é um privilégio e eu sei, mas... pode cansar... às vezes.
O problema é eu ser um pouco independente e não fazer depender a minha felicidade dos outros. Eu basto-me a mim próprio (que raio de narcisista!).
O problema deve mesmo ser meu!
De Carla a 3 de Maio de 2007 às 16:06
Eu também sou casada, como sabes, e conheci o meu marido na empresa onde ambos continuamos a trabalhar, há 13 anos... houve pessoas que só descobriram que éramos casados quando nasceu a nossa filha e eu vim à empresa com a bebé e "estranhamente" coloquei a cadeira em cima da mesa dele! lol
Chegamos juntos, saímos juntos, e muito raro é o dia em que não almoçamos juntos... várias vezes falamos em tentar, pelo menos, não almoçar juntos... mas isso acaba por não acontecer, e o que acontece por vezes é que durante o dia falamos tanto um com o outro que chegamos ao fim do dia sem muito o que contar um ao outro!
Mas sabes, eu também já fui um bocadinho possessiva, no início do meu casamento, acho que mais que falta de confiança no meu marido tinha falta de confiança em mim própria, nas minhas capacidades em manter o meu marido satisfeito... mas aos poucos "tornei-me" numa mulherzinha (lol) e fui ganhando confiança e hoje digo que de nada me vale ter atitudes possesivas porque eu não vou querer manter do meu lado quem não quiser estar, como tal tenho de ter confiança nele e naquilo que temos juntos!
Isto tudo para te dizer que, eventualmente, a tua mulher tenha falta de confiança nela própria, confiança de que te merece e que não tem de ter medo de te perder... tu podes tentar ajudar a restituir (se ela algum dia já a teve) ou desenvolver essa confiança...
De Tytas a 2 de Maio de 2007 às 17:57
Dizem que quando casamos, passamos a ser um só.
Nunca...temos que continuar a ser nós em todos os aspectos, temos que continuar a ter vida própria, para bem de cada um.
Senão pode haver um dia que olhamos para trás e vimos o que perdemos nas nossas vidas. Eu sou muito egoísta , individualista nesse aspecto, ninguém me tira o que posso fazer sozinha quando me apetece, tenho que ter a minha vida para me sentir viva. Mudando um pouquinho de assunto, soube que andas triste pois as tuas amantes estão a fugir, sei que não tens culpa, talvez seja efeitos primaveris. Por isso uma amiga comum, Analycia , aconselhou-me a pedir-te para ser tua amante. Talvez eu substitua alguma ou então ...
De oamante a 3 de Maio de 2007 às 14:15
Sim, Tytas, devemos conservar a nossa individualidade, mas temos também de ceder nalgumas partes, não é? Senão, é cada um para o seu lado!
Bem, quanto ao tal assunto, não acho que possas substituir ninguém... simplesmente porque eu não substituo umas amantes por outras. Cada uma de vocês é-me muito especial, por revelarem características próprias, que não encontro em mais ninguém. Todas iguais , todas diferentes. De modo, que podes entrar no baile, porque gostei do que li desse lado. Só tens de te aguentar!
De condescendência a 2 de Maio de 2007 às 21:56
Andas encantado com o principezinho...
Não devia comentar este post pois não sou casada... quem seria eu para dar concelhos... mas dizem que o Amor é cego... talvez seja essa cegueira que estraga as relações... ou então é como aquela coisa de: quando se gosta muito de uma flor vai-se, corta-se do jardim, mete-se numa jarra, esquecendo-nos de que a sua beleza seria muito mais longa se continua-se no jardim; Assim como os animais em jaulas e gaiolas...As vezes as pessoas tornam o amor egoista...(mas isso não é amor)
De oamante a 3 de Maio de 2007 às 14:20
Sabes, quando começamos a... entrar na idade...(lol) olhamos para a vida de um prisma totalmente diferente, não nos interessando algumas características que em novos preferíamos. O Principezinho mais não foi que O Saint-Exupèry colocar cá fora a criança que tinha lá dentro!
Aquele livro, apesar de nos falar de crianças, revela o pensamento dos adultos quando chegam à fase em que na vida interessam mais as pessoas que tudo o resto, sejam más ou boas.
Não és casada e tens algum "medo" disso, mas sabes muito bem do se fala aqui: engaiolar ou cortar e colocar na jarra! E tens razão, isso não leva a lado nenhum.
De condescendência a 3 de Maio de 2007 às 23:26
Li os outros comentários e as tuas respostas... sou demasiado independente e como tu dizes: basto-me a mim própria... tenho "medo" realmente do casamento mas cheguei à conclusão que ninguém se basta a si próprio...olha... dou-me muito bem com a minha independencia e estar sozinha tem as suas vantagens (muitas) a liberdade é tudo para mim... mas as vezes é também triste, fazer planos sozinha, ir à praia sempre só, ao cinema e tantas outras coisas... e férias? nem quero pensar! pesando na balança... não sei qual é melhor, só sei que independemente da forma como vivemos estamos sempre insatisfeitos... Mas entendo bem a tua necessidade de respirar e voar, mesmo que depois voltes à gaiola! beijo doce...
De cigana a 4 de Maio de 2007 às 13:16
Grande post! Não me refiro ao tamanho, claro, e sim ao conteúdo. Boa análise de uma realidade que acontece mais vezes do que se julga. Ao contrário do que o parceiro inseguro possa pensar, esse convívio permanente tipo "Super Cola 3" acaba por desgastar a relação em vez de a consolidar.
De oamante a 7 de Maio de 2007 às 11:55
Pois é, Cigana, todos precisamos de um tempo só para nós e atribuímos a isso uma importância maior do que se julga.
E sim, ser "super Cola 3" (lol) só vai afastar as pessoas!
Afinal, amar não é prender, pois não?
De cigana a 7 de Maio de 2007 às 12:13
Espero a tua contribuição no meu post "Consultório de Sexologia"! O especialista és tu!
De Moura ao Luar a 11 de Maio de 2007 às 16:34
Eu bem preciso do meu fosgace nao sei como ha pessoas que conseguem andar sempre coladas... e as vezes ao fim de semana gosto de ir pa casa dos meus pais sozinha, estar com os amigos.... a minha mae nao gosta mto mas tem que se aguentar que eu nao sou do tempo dela
De O casamento não pára ninguém a 8 de Abril de 2008 às 02:22
o casamento é um acontecimento momentâneo, as vidas continuam para além disso e gerir os tempos e espaços pode ser algo que exige inteligência na vida de um casal, não imediatamente após o casamento mas no decorrer do tempo que a união dura. parabéns pelo blog.

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